Surf oferece um “reset mental” para mulheres com rotinas aceleradas
Cresce o número de mulheres que encontram no mar foco, energia e equilíbrio emocional antes do trabalho
Um movimento cada vez mais comum nas primeiras horas da manhã na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, chama a atenção: mulheres têm apostado na prancha antes de iniciar o expediente de trabalho. Médicas, executivas e profissionais liberais estão começando o dia dentro do mar, muitas vezes às seis da manhã, em busca de foco, energia e equilíbrio emocional para encarar a rotina acelerada.
O fenômeno tem sido observado por Ariel Gioranelli, fundador da Escola de Surf Ariel Gioranelli, que acompanha de perto essa transformação no perfil dos alunos. Segundo ele, o aumento da presença feminina nas aulas reflete uma mudança de percepção sobre o esporte e seu papel no bem-estar.
Aluna da Escola de Surf Ariel Gioranelli - Foto: divulgação
“Nos últimos meses, vimos crescer muito o número de mulheres que chegam cedo para surfar antes de ir trabalhar. Muitas relatam que o mar virou um momento de reset mental. O surfe exige presença, conexão com a natureza e respeito ao tempo das ondas, e isso acaba trazendo um equilíbrio muito importante para quem vive rotinas intensas”, explica Ariel. “Eu costumo dizer uma frase simples: o surf salva”, completa.
Fundada em 2022, na Barra da Tijuca, entre os Postos 1 e 2 - famoso trecho conhecido pelos locais como “Postinho” -, a escola nasceu da união entre tradição familiar, formação acadêmica e empreendedorismo com propósito. Atualmente, já formou mais de 4.000 alunos e é uma das principais referências da modalidade na Cidade Maravilhosa.
Entre as alunas, estão profissionais da área da saúde que lidam com jornadas exigentes. A gestora hospitalar Carolina Valpaços de Oliveira conta que as aulas mudaram completamente sua relação com o início do dia. “Sou gestora hospitalar e encaro diariamente uma rotina desafiante. Mas quando surfo, ao final de cada aula, mesmo acordando mais cedo e mudando o trajeto da manhã, faz toda a diferença. Me sinto acolhida pelo espaço, segura para trocar opiniões e tirar dúvidas. Com toda certeza as aulas transformam, o surf salva. Mulheres normalmente têm dupla jornada e ter esse momento nosso é incrível”, relata.
A escola já formou mais de 4.000 alunos e é uma das principais referências da modalidade no Rio - Foto: divulgação
Histórias como a da médica Laura, de 33 anos, reforçam como o surfe pode se tornar uma ferramenta de reconexão pessoal. Mesmo começando no esporte depois dos 30, ela encontrou no mar uma pausa necessária em meio à correria profissional. “Minhas aulas são às seis horas da manhã, com o sol nascendo. Surfar virou um momento de pausa, de presença e de energia no meio da correria da vida. Mais do que pegar onda, a gente aprende a respirar, aprende a respeitar as pausas e o tempo da natureza”, conta. “Ali no meio das ondas, observando a vida marinha despertar, há algo terapêutico que me energiza para o resto da semana.”
Ela também destaca o incentivo recebido durante o processo de aprendizado. “Nesse desafio tem o Ariel, meu professor, que é um grande incentivador. A cada aula ele me mostra que sou capaz de me superar.”
O aumento da presença feminina nas aulas também reflete uma mudança cultural no próprio universo do surfe, tradicionalmente associado ao público masculino. Hoje, cada vez mais mulheres encontram no esporte um espaço de bem-estar, desenvolvimento pessoal e conexão com a natureza.

