Quinoa Better Living une lifestyle e alimentação saudável
Criada em Campinas, a marca faz sucesso no Itaim Bibi, em São Paulo, com a proposta de tornar escolhas saudáveis mais simples, práticas e saborosas
Antes de ser uma loja de produtos saudáveis, o Quinoa Better Living nasceu como resposta a uma inquietação pessoal: como tornar mais simples, prazerosa e acessível uma rotina de escolhas melhores? Criada por Lucas Lopes e Karina Dohme, em 2016, a marca surgiu da própria experiência dos fundadores em busca de uma vida mais equilibrada, em uma época em que comprar suplementos, snacks sem glúten, castanhas, iogurtes e refeições prontas saudáveis exigia circular por diferentes endereços e, muitas vezes, abrir mão de sabor, praticidade ou confiança.
Fachada da Quinoa Better Living, no Itaim Bibi - Foto: divulgação
Desde o início, a proposta foi reunir tudo isso em um só lugar, mas sem se limitar ao conceito tradicional de loja natural. O Quinoa se posicionou como uma marca de lifestyle, com curadoria criteriosa de produtos, olhar atento aos rótulos, seleção de marcas alinhadas ao propósito da casa e uma cozinha própria baseada em comida de verdade, feita com poucos e bons ingredientes.
Depois de consolidar unidades em Campinas e Americana, no interior de São Paulo, o Quinoa chega à capital paulista com endereço no Itaim Bibi, levando para a rotina acelerada da cidade uma experiência que combina loja, produtos para levar, granel premium, espaços dedicados a grandes marcas do segmento e um restaurante, o Nossa Cozinha Leve, que aposta em poucos e bons ingredientes para provar que alimentação saudável vai muito além de frango com batata doce.
Prateleiras de produtos na loja do Itaim - Foto: divulgação
Conversamos com Karina Dohme sobre curadoria, comida de verdade, o novo perfil de quem busca uma vida mais equilibrada e os planos de expansão de uma marca que, segundo ela, está "com muita fome de crescer". Confira a seguir:
O Quinoa nasceu com a proposta de ir além de uma loja de produtos saudáveis. Em que momento vocês perceberam que o negócio precisava ser pensado como uma marca de lifestyle e não apenas como uma loja de produtos? Como surgiu esse modelo integrado?
Eu acho que o Quinoa já nasceu como uma marca de lifestyle, porque criamos esse negócio baseado na nossa dificuldade de mudar para uma vida mais saudável, mais consciente, com melhores escolhas. Há 11 anos, para conseguir comprar seu suplemento, você tinha que ir em um lugar, sua castanha em outro, seu iogurte em outro, um snack saudável e sem glúten em outro. E se quisesse comer alguma coisa pronta, não tinha opção, era fast food no estilo Subway.
Desde sempre a ideia foi montar um negócio que nós gostaríamos de encontrar para fazer nossas compras, para fomentar um novo estilo de vida que estava dando certo e trazendo muitos resultados. Eu parei de ficar doente, minha imunidade, humor e disposição melhoraram. Tudo isso me encantou e me deu o propósito de propagar para o mundo. E assim nasceu a marca, que sempre teve esse objetivo de oferecer uma loja completa e que falasse realmente sobre um estilo de vida equilibrado, saudável e consciente.
Depois de consolidar a marca em Campinas e Americana, vocês fincaram os pés também em São Paulo. O que esse movimento significa para a marca e quais foram os maiores aprendizados das unidades do interior que vocês trouxeram para a capital?
Fizemos um movimento muito consciente de não começar por São Paulo. Quando decidimos abrir a marca, escolhemos o interior porque lá as coisas são mais fáceis e temos um gap para errar um pouco maior do que São Paulo, que é muito voraz. Demoramos para trazer a Quinoa para São Paulo, porque queríamos estar mais consolidados, com um modelo de negócio mais validado e mais formatado. Ao longo desses anos, a marca passou por muitas reestruturações, de branding, design, layout, mix de produtos e curadoria. Sempre respeitamos esse tempo de vir para a capital apenas quando estivéssemos maduros.
E trouxemos de lá esse acolhimento do interior. Não somos uma loja impessoal, gostamos de saber o nome do cliente, de cuidar e de entender suas necessidades. São Paulo é muito rápida e dinâmica e às vezes as pessoas não têm tempo de se olhar. Por isso, viemos com alma, que é algo que se pratica muito no interior.
Vocês oferecem mais de quatro mil produtos. Como é o processo de curadoria de marcas e itens?
É um processo muito rigoroso e criterioso. Tem muita marca legal que quer entrar no nosso espaço, mas aí a gente vai olhar o rótulo e tem óleo de girassol, óleo de canola, açúcar, um adoçante artificial, um aromatizante, um corante que não é legal. Então, a primeira coisa que a gente olha é o rótulo.
Fazemos concessões pra marcas que são muito pedidas pelos clientes, mas o principal critério é se a gente comeria na nossa casa e daria para os nossos filhos. Temos o cuidado de triar para o cliente o que é de fato bom e seguro, porque tem muito produto hoje travestido de saudável, mas que não é. E como as pessoas não tem ainda uma cultura de ler rótulo, muitas vezes acabam sendo iludidas pela indústria e comprando algo que não é verdadeiramente saudável.
O restaurante propõe uma culinária com poucos e bons ingredientes. Como vocês equilibram simplicidade e sabor e como o público tem recebido essa escolha?
Para mim, o maior prazer desse projeto é resgatar a ideia de comida de verdade. Eu sempre acreditei que alimentação saudável é aquela que vem da natureza: o alimento que sai da terra e, poucos dias depois, está no prato. É cor, aroma, vida e diversidade. Claro que a suplementação tem seu papel, especialmente em uma rotina cada vez mais prática, mas comida saudável, para mim, começa nos ingredientes simples, frescos e bem escolhidos, como faziam nossos avós e bisavós.
Como loja, eu sentia falta de ter isso mais presente. Sempre trabalhamos com opções to go, para pegar e levar, mas quando passamos a oferecer pratos no cardápio, foi uma grande realização. Comer bem está na simplicidade. Alimentação saudável não precisa ser insossa, sem graça ou limitada ao clichê do frango com batata-doce. Nossa maior alegria é ver o cliente provar um prato e se surpreender: “Isso é saudável mesmo?”. É justamente isso que queremos mostrar: boas escolhas também podem ser deliciosas.
A proposta da nossa cozinha é oferecer uma comida leve, afetiva e cuidadosa, com sabor de casa, que lembra o cuidado da mãe ou da avó. E esse cuidado aparece em todas as etapas: no feijão que passa pelo remolho para ser mais leve, nos óleos e gorduras que usamos, como azeite extravirgem, óleo de coco e manteiga ghee, e na escolha de ingredientes sem excessos, sem ultraprocessados e sem atalhos que comprometam a qualidade.
Buscamos criar versões mais saudáveis de pratos que todo mundo ama, sem abrir mão do sabor. Um exemplo é a nossa parmegiana, feita sem trigo, sem glúten, sem fritura e com molho de tomate orgânico sem açúcar. A ideia é permitir que as pessoas comam algo muito saboroso, que nutre de verdade e, ao mesmo tempo, faz bem.
Quem é o cliente do Quinoa? Ao longo desses 10 anos, vocês observaram alguma mudança no perfil de quem busca alimentação saudável?
Eu acho que o Quinoa é muito democrático, porque como somos uma loja muito completa, atendemos veganos, vegetarianos, pessoas que são curiosas e estão começando, pessoas que são atletas que querem suplementar, pessoas que se preocupam com uma vida saudável, equilibrada e querem fazer melhores escolhas, pessoas mais dinâmicas que não têm tempo para cozinhar.
Até pouco tempo atrás, eu responderia que nosso cliente está na faixa dos 30 a 40 anos. Mas hoje, vemos a geração Z consumindo e valorizando uma comida saudável. Então, somos muito democráticos e temos até clientes mirins que vão e já adoram um determinado produto ou prato. É muito legal ver isso.
Na sua opinião, quais são as tendências mais relevantes no segmento de alimentação saudável para os próximos anos?
Acredito que veremos uma tendência cada vez mais forte de suplementos em formatos mais fáceis de consumir e incorporar à rotina, como receitas, bebidas e produtos funcionais. A ideia é tornar esses ativos mais acessíveis, práticos e simples de entender para o consumidor.
Outro movimento importante é o protagonismo das fibras e do cuidado intestinal. Vamos falar cada vez mais sobre saúde do intestino, considerado nosso “segundo cérebro”, e sobre como esse equilíbrio impacta o bem-estar como um todo. A proteína também deve continuar em alta, mas com novas aplicações. Além do whey, da proteína vegetal e da carne, ela passa a aparecer em outros formatos, especialmente em bebidas funcionais, que vêm ganhando força por entregarem praticidade e benefícios adicionais.
Também vejo os mushrooms e adaptógenos como uma tendência relevante, caso avancem dentro da regulamentação da Anvisa. Lá fora, esse mercado já cresce bastante, com combinações voltadas a benefícios como concentração, vitalidade e imunidade.
Por fim, acredito que a indústria saudável deve olhar com mais atenção para pessoas que fazem uso de canetas emagrecedoras. Como esses medicamentos alteram o apetite e os hábitos alimentares, surge uma demanda por produtos que ajudem no aporte de nutrientes, na digestão, na saúde intestinal e na absorção de proteínas. Esse público tende a abrir um novo caminho para soluções nutricionais mais específicas e completas.
Há planos de expansão, novos formatos ou serviços?
Sim, o projeto de expansão sempre existiu. Temos o desejo de transformar o Quinoa em uma franquia e recebemos muita demanda nesse sentido, mas ainda não queremos dar esse passo antes de estarmos totalmente preparados. Nosso foco é fazer isso muito bem feito.
O Lucas, meu sócio, já foi franqueado e conhece de perto as dores desse modelo. Por isso, queremos construir uma estrutura sólida, capaz de dar todo o suporte necessário aos futuros franqueados. Estamos nos ajustes finais para desenvolver esse formato.
Além disso, surgiu recentemente uma nova frente de expansão: operações dentro de academias. Fomos convidados pela Six Sport Life, a primeira academia seis estrelas do Brasil, para estar na unidade de Nova Campinas, em Campinas. Lá, teremos uma operação de restaurante, além de uma curadoria mais enxuta de produtos. Acreditamos muito nesse canal, especialmente em espaços que tenham conexão direta com o nosso propósito.
Também temos planos para abrir novas lojas próprias, tanto em outras cidades quanto em bairros estratégicos de São Paulo. Os planos são ousados, mas estamos com muita fome de crescer, trabalhar e espalhar o Quinoa por aí.
Quinoa Better Living em São Paulo - Foto: divulgação
Quinoa Better Living
Rua Dr. Mário Ferraz, 538, Itaim Bibi - São Paulo
Horários: de segunda a sexta, das 8h30 às 20h; sábados, das 9h30 às 14h30
@quinoabetterliving

